Saúde na terceira idade
Síndromes geriátricas são comuns e requerem acompanhamento médico
Por Thalis Araújo
O envelhecimento traz mudanças naturais ao organismo e é uma fase em que a saúde precisa de atenção redobrada. No Brasil, conforme estabelece o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003), essa faixa etária pode ser considerada a partir dos 60 anos.
As chamadas síndromes geriátricas necessitam de acompanhamento médico contínuo, a fim de preservar a qualidade da saúde do idoso e permitir que ele possa desfrutar de uma vida plena.
Segundo Sérgio Murilo, que é geriatra do Hospital Jayme da Fonte, os problemas se dividem em várias vertentes que vão além das doenças ligadas a órgãos específicos. Essas fragilidades podem comprometer a força e a resistência do paciente.
"As síndromes geriátricas são condições multifatoriais que limitam o dia a dia do idoso. Entretanto, elas não são consequências inexoráveis da idade. Muitas vezes, o idoso considera isso como normal e a gente tem que fazer, de forma ativa, várias perguntas na consulta para detectar quando um problema desse está acontecendo", explica ele.
TRATAMENTO:
Ao abordar as condições, a depender do grau de incidência sobre o paciente, o geriatra pode ministrar tratamento multidisciplinar ou farmacológico. Murilo indica que as condições de convivência daquela pessoa podem interferir no diagnóstico. Quanto mais precocemente o problema for identificado, maiores são as chances de reverter a situação. O idoso vem com uma perda de peso inexplicada, por exemplo. Se o médico focar na avaliação de perda de peso tradicional, ele vai fazer uma série de exames e não vai flagrar uma causa. Muitas vezes é porque o idoso não tem comida em casa, seja por morar sozinho ou por não ter condições. Alguns comem com frequência um pacote de biscoito. Eu já vi caso em que o paciente almoçava uma colher de leite condensado", destaca o especialista.
Em um caso como o citado pelo médico, o geriatra pode recorrer à comunicação com a família, a fim de abordar o idoso, porém, tendo um olhar diferenciado para fazer uma avaliação ampla. A partir daí, pode conseguir assistir bem o paciente.
PREVENÇÃO:
Para se manter com a saúde em dia, livre de problemas, o idoso precisa, segundo as orientações do geriatra Sérgio Murilo, manter um índice de atividade social adequado, além da realização frequente de atividades físicas. Também é bom que tenha uma boa escolaridade. Mas não é aquela escolaridade relacionada à leitura, mas a que vem desde a infância. A gente consegue, hoje, na escolaridade dos adolescentes e jovens prevenir problemas lá na frente. É necessário evitar depressão, ter cuidado com isolamento social, evitar tabagismo e excesso de álcool, além da poluição do ar, que influencia a qualidade de vida dos idosos", indica ele.
