Síndrome do Ovário Policístico e os riscos da infertilidade
Síndrome do Ovário Policístico e os riscos da infertilidade
Condição pode ter influência direta nas chances de pessoas com útero para engravidar, devido a mudanças hormonais e questões de saúde
Por: Samantha Oliveira
A Síndrome do Ovário Policístico, também conhecida como SOP, é uma condição caracterizada pela disfunção hormonal em relação à ovulação. Por conta disso, a síndrome também está associada a uma das principais causas de infertilidade. Isso acontece devido à maior dificuldade de pessoas com útero de ovular, sem uma periodicidade definida. Logo, quando não há liberação do óvulo, existe a impossibilidade de gravidez naquele ciclo.
O ginecologista Wandelson Rangel, do Hospital Jayme da Fonte, afirma que a SOP pode estar associada a fatores como resistência à insulina, alterações hormonais (aumento de androgênios) e metabólicas. "Essas condições podem impactar não apenas a ovulação, mas também a qualidade endometrial, provocando sangramentos que "desarrumam o ambiente hormonal" necessário para implantação do embrião", explica.
Ainda assim, para pessoas que têm a síndrome, mas desejam engravidar, o profissional enfatiza a importância da avaliação personalizada - para o caso de terapias de reprodução assistida e afins. "Muitas pacientes descobrem que têm SOP justamente no processo de tentar engravidar, mas é importante destacar que nem toda dificuldade para engravidar significa SOP. Na verdade, podemos dizer que a infertilidade pode ser a ponta do iceberg de um distúrbio hormonal que já estava ali há anos e não estava sendo avaliado adequadamente", defende.
O tratamento da SOP pode variar conforme os sintomas e os objetivos reprodutivos da paciente. Entre as abordagens mais comuns estão mudanças no estilo de vida, como controle de peso e prática de atividade física, além do uso de medicamentos para regulação hormonal ou indução da ovulação em casos de tentativa de gravidez. Em situações específicas, técnicas de reprodução assistida também podem ser indicadas.
Qual é a relação entre SOP e gravidez?
A Síndrome do Ovário Policístico ainda é uma condição cercada de mitos e dúvidas. Quanto à fertilidade, o ginecologista destaca que as intervenções envolvendo reprodução assistida são necessárias quando houver tentativas de gestar por mais de 12 meses (ou 06 meses se a paciente tiver 35 anos ou mais). Além disso, o ginecologista aponta outras possíveis causas de infertilidade, como fator tubário, fator masculino, idade e qualidade dos óvulos, histórico de abortamento recorrente.
Mulheres que possuem a síndrome diagnosticada e desejam engravidar devem se atentar aos tratamentos adequados da condição, que podem envolver medicamentos e ajustes no estilo de vida. Entre as mudanças necessárias estão controle de peso antes da gestação, avaliação da glicemia e perfil metabólico, assim como um pré-natal criterioso e acompanhamento ginecológico especializado.
"A falta de uma terapêutica adequada leva o quadro clínico e sintomatológico a se intensificar, piorando a fertilidade principalmente por fatores ovulatórios", complementa o ginecologista.
Diagnóstico e tratamento da SOP
A Síndrome do Ovário Policístico afeta cerca de 10% a 13% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O diagnóstico da síndrome costuma considerar critérios clínicos e laboratoriais, incluindo irregularidade menstrual, sinais de excesso de hormônios androgênicos (como acne ou aumento de pelos) e a presença de múltiplos folículos ovarianos ao ultrassom.
Para o ginecologista Wandelson Rangel, o acompanhamento médico é fundamental para definir a estratégia adequada para cada paciente. "O mais importante no tratamento é individualizar cada caso: SOP não "é tudo igual", SOP não é "só usar anticoncepcional" como tratamento. A abordagem exige acompanhamento adequado e condutas que abordem o paciente em uma visão multidisciplinar", finaliza.
Hospital Jayme da Fonte
O Hospital Jayme da Fonte, localizado no bairro das Graças, Zona Norte do Recife, dispõe de uma moderna infraestrutura e equipe multidisciplinar para acompanhamento ginecológico, com prioridade para o cuidado humanizado e seguro.
