Os impactos da fibrose pulmonar: paciente relembra desafios após diagnóstico
Marcelo Candido se assustou com primeiros sintomas e viu tarefas simples se tornarem desafios
Por: Thalis Araújo
Foi enquanto corria que o engenheiro Marcelo Alves, de 54 anos, sentiu falta de ar e pressão acentuada na região torácica. Acostumado à prática de exercícios físicos, ele nunca havia enfrentado sintomas com tal intensidade.
Com a persistência dos sinais, procurou um pneumologista em outubro de 2024. No primeiro atendimento, exames de imagem já apontaram alterações nos pulmões. Após uma investigação mais detalhada, veio o diagnóstico: fibrose pulmonar, uma doença rara e potencialmente grave.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a fibrose pulmonar faz parte do grupo das doenças pulmonares intersticiais (DPIs), enfermidades crônicas não infecciosas que afetam o tecido pulmonar. A condição atinge, em média, entre 10 e 20 pessoas a cada 100 mil habitantes no mundo.
A doença é mais frequente em idosos, principalmente acima dos 60 anos, e em ex-fumantes. No entanto, também pode atingir pessoas mais jovens com doenças autoimunes, como:
- Lúpus;
- Artrite reumatoide;
- Esclerose sistêmica.
Além disso, pode acometer indivíduos expostos de forma prolongada a fatores ambientais, como mofo, atividades rurais e criação de aves. Entre os sintomas mais comuns estão a falta de ar e a tosse seca, que pode se intensificar à medida que a doença progride.
"Além de ficar em casa, eu precisei usar máscara para sair, inclusive para ir a restaurantes. Houve um impacto psicológico muito grande e dificuldades para dormir, porque eu sentia falta de ar durante a madrugada. Carregava a incerteza do que poderia acontecer comigo, porque havia perdido parte da função pulmonar e não sabia se iria me recuperar", relembra ele, que é casado, tem uma filha de 18 anos e trabalha na mesma profissão há 25 anos, numa concessionária de energia elétrica.
Tratamento
Responsável pelo acompanhamento de Marcelo, o pneumologista Emmanuel Campelo, do Hospital Jayme da Fonte, explica que a escala da falta de ar varia entre um e quatro graus. Quando iniciou o tratamento, o paciente apresentava nível três de dispneia, quadro que indica sintomas importantes mesmo durante pequenos esforços.
"O diagnóstico dele foi de uma doença com característica mais inflamatória. Nesses casos, a resposta costuma ser melhor, porque, ao controlar a inflamação, conseguimos estabilizar a doença. Durante o tratamento tivemos algumas intercorrências, mas, quando ajustamos a medicação adequada, ele passou a apresentar melhora progressiva", explica o especialista.
Na época, atividades simples passaram a representar desafios. Subir escadas, caminhar mais rápido e frequentar ambientes com aglomeração se tornaram tarefas difíceis. Marcelo precisou se afastar do trabalho e passou a atuar em home office. Foi uma brusca mudança de rotina.
Ao identificar a doença, Emmanuel Campelo ministrou corticoide e um imunossupressor capaz de reduzir a inflamação nos pulmões do paciente, que sentiu melhoras já nas primeiras semanas do tratamento. Segundo ele, nem todos os tipos de fibrose pulmonar possuem tratamento específico.
"Nem toda fibrose tem tratamento específico. Algumas necessitam de acompanhamento. Para tratamentos gerais, recomendamos:
- Fisioterapia;
- Oxigenoterapia;
- Tratamento de comorbidades, como diabetes, hipertensão e apneia do sono.
Já diretamente, é quando usamos anti-fibróticos, imunossupressores e corticoide", afirma.
Cotidiano
Hoje, com a doença controlada, Marcelo retomou a prática de atividades físicas e voltou a frequentar a academia. Ele afirma que já não sente falta de ar ao subir escadas ou caminhar e reconhece que buscar ajuda médica logo nos primeiros sintomas foi decisivo para preservar a função pulmonar e recuperar a qualidade de vida.
"Foram fatores essenciais para o meu equilíbrio psicológico e para enfrentar a doença da melhor forma possível. Tendo um cansaço excessivo, procure rapidamente um profissional. Não espere, porque essa doença especificamente progride rápido. Agora eu tenho uma vida plena, graças a Deus, principalmente, à minha família e meus amigos", finaliza o paciente.
