No Dia Mundial Contra a Raiva, saiba mais sobre a doença
Transmitida de animais mamíferos para humanos, zoonose tem alta letalidade
Por Ayrton Niño
O dia Mundial Contra a Raiva, celebrado nesta segunda-feira (28), foi criado com o intuito de conscientizar sobre a prevenção da doença e lembrar a importância da vacinação de cães, gatos e outros mamíferos. Em janeiro de 2025, uma mulher de 56 anos morreu ao ser mordida por um sagui em Santa Maria do Cambucá, no Agreste de Pernambuco, sendo o primeiro caso da doença registrado no estado após oito anos, mostrado que o vírus segue circulando e os cuidados continuam necessários, já que se trata de uma infecção viral e aguda com alto índice de letalidade.
Causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, a Raiva é classificada como uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida entre animais e humanos. A transmissão acontece por contato direto com animais infectados, seja por mordedura, arranhadura ou lambedura. Cachorros, gatos, roedores, morcegos e animais silvestres (macacos, raposas, saguis etc.) são algumas das várias espécies de mamíferos que podem transmitir a doença.
Cuidados
Em caso de contato direto com um animal infectado, a primeira atitude necessária é lavar muito bem o ferimento com bastante água e sabão, já que ajuda a reduzir a quantidade de vírus no local. Em seguida, é preciso procurar um profissional de saúde que avaliará se há necessidade de vacina, de soro ou imunoglobulina antirrábica.
O médico infectologista Cleiton Ramos, do Hospital Jayme da Fonte, explicou que a decisão será baseada no tipo de contato, do ferimento e do animal envolvido.
"As medicações são utilizadas nas exposições consideradas de maior risco, quando é necessária uma proteção imediata, enquanto a vacina estimula o organismo a produzir seus próprios anticorpos. Quando indicados, esses anticorpos prontos são aplicados principalmente no próprio ferimento e ao redor dele", disse.
A observação também é um importante passo. Se a fonte de infecção desaparecer, a pessoa deve retornar imediatamente ao serviço de saúde. Caso o animal não possa ser observado, será necessário iniciar ou completar a prevenção da raiva.
Sintomas
Em casos mais extremos, em que o vírus entra no organismo, o avanço pode chegar ao cérebro, provocando uma inflamação grave. "No começo, a pessoa pode ter febre, mal-estar, dor de cabeça e alterações de sensibilidade no local da mordida. Depois, podem surgir agitação, confusão mental, espasmos e dor na tentativa de beber água. Isso ocasiona hidrofobia, alterações neurológicas e o coma", detalhou Cleiton.
Vale ressaltar que os sintomas aparecem quando o vírus já atingiu o sistema nervoso central. Não existe um tratamento eficaz capaz de curar a doença e praticamente todos os pacientes evoluem para óbito.
Mas há algumas exceções, como em 2008, quando ocorreu o primeiro caso brasileiro documentado a sobreviver à raiva humana. Marciano Menezes da Silva, adolescente de Floresta, no Sertão de Pernambuco, desenvolveu raiva após ser mordido por um morcego e foi tratado no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife. O caso deu origem à adaptação brasileira conhecida como "Protocolo de Recife", que combina o uso de antivirais, medicamentos anti-inflamatórios, traqueostomia precoce, além de suporte intensivo com fisioterapia e fonoaudiologia.
Campanhas
Na cidade do Recife, o Dia D da vacinação ocorre no próximo dia 7 de novembro. Enquanto isso, a cidade iniciou a chamada de pré-campanha, que são ações concentradas em áreas estratégicas mais afastadas do centro, conforme orientações do Ministério da Saúde, com o objetivo de criar um cinturão imunológico em torno das zonas urbanas.
Nesta segunda acontecerá também uma ação especial para marcar o Dia Mundial de Combate à Raiva Animal. Das 8h às 13h, no Parque Urbano da Macaxeira, no bairro da Macaxeira, ocorrerá a oferta de vacinação com drive-thru, sem a necessidade de descer do veículo.
A campanha segue até dezembro em locais com baixas coberturas vacinais, de acordo com a necessidade de cada Distrito Sanitário (DS). Vale ressaltar que tutores com mais de quatro animais também podem solicitar vacinação pelo aplicativo Conecta Recife. Em caso de mais de dez animais, o contato pode ser feito via Whatsapp, pelo número (81) 3355-7712.
